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Cultura e história

A formação do Município, seus marcos históricos e o patrimônio cultural que define a identidade de Craíbas. Do primeiro núcleo em 1865 à dupla emancipação — uma história de resistência e reconstrução.

De craibeiras a município duas vezes emancipado

A palavra Craíbas vem do tupi carahyba — a craibeira, árvore símbolo de Alagoas. O Município é um dos poucos do país que precisou se emancipar duas vezes.

Craibeira
Origem do nome
Tupi "carahyba"
1865
Fundação territorial
Manoel Nunes da Silva Santos
1962
1a emancipação
Lei Estadual 2.471
1982
Reemancipação
Lei Estadual 4.335
Marcos históricos de Craíbas
De 1865 a 2023
9 marcos
1865
Chegada de Manoel Nunes da Silva Santos
Adquiriu por 50 mil réis o lote de matas e craibeiras que seria o embrião do Município. Por quase três décadas foi o único proprietário do território.
1892
Partilha das terras dos Nunes
Com o falecimento de Josefa Teixeira da Silva, as terras foram divididas entre filhos e genros — atraindo novos moradores e formando os primeiros núcleos comunitários.
1923
Primeira feira pública
Marca a inserção de Craíbas nos circuitos comerciais regionais. À época pertencia ao município de Limoeiro de Anadia como lugarejo.
1939
Primeiro cartório de registro civil
Décadas após o surgimento da comunidade, o Estado chega formalmente ao território.
1962
1a emancipação — Lei Estadual 2.471
Instalação oficial em 23 de setembro de 1962. Antônio Barbosa é nomeado primeiro prefeito interino. Em 1963, Manoel Pedro da Silva é eleito prefeito.
Marco político
1965
Extinção do Município
Resolução do Senado nº 113: o território é reabsorvido por Arapiraca. Por quase duas décadas, a população depende de Arapiraca para serviços básicos.
Perda de autonomia
1982
Reemancipação — Lei Estadual 4.335
Sancionada em 23 de abril de 1982. Instalação oficial em 1° de fevereiro de 1983. O Município retorna com o nome no plural.
Restauração
2000s
Mineração em Craíbas
Maior investimento privado em Alagoas nas últimas décadas: transformação econômica e territorial de escala inédita para o Município.
2023
Lei 538/2023 — Sistema Municipal de Cultura
Criação do CMPC, do Fundo Municipal de Cultura (FMC) e da Conferência Municipal de Cultura — em fase de operacionalização.
Marco cultural

A origem do nome

O nome Craíbas vem do tupi carahyba — a craibeira (Tabebuia aurea), árvore de flores amarelas que dominava as matas da região. A craibeira é o símbolo do estado de Alagoas.

Antes da emancipação, o lugar era chamado de Craíba dos Nunes — em referência à família fundadora. O nome carrega, ao mesmo tempo, a paisagem natural e a memória dos primeiros habitantes.

A dupla emancipação

Craíbas é um dos poucos municípios brasileiros que precisou se emancipar duas vezes. A primeira emancipação em 1962 durou apenas 3 anos — foi extinta em 1965 pelo governo militar sob argumento de inviabilidade fiscal.

Por quase duas décadas, a população dependeu de Arapiraca para serviços básicos, documentos e educação. A restauração veio em 1982 e a instalação oficial em 1° de fevereiro de 1983.

Bens que contam a história do Município

A Igreja Matriz de Nossa Senhora da Conceição e a praça que a circunda formam o núcleo simbólico e físico da vida pública de Craíbas — reconhecidos pela equipe técnica como principais bens materiais.

Igreja Matriz de N. Sra. da Conceição
Edificação religiosa
Principal bem cultural material do Município e referência central da identidade coletiva. Abriga altar com imagens de devoção secular. O crescimento da cidade ocorreu ao redor dela — padrão histórico de urbanização brasileiro.
Sem tombamento formal
Praça da Igreja Matriz
Espaço público cultural
Espaço que organiza o entorno da Igreja Matriz e estrutura a vida pública do centro histórico. Ponto de encontro e referência simbólica da cidade desde sua formação.
Sem proteção formal

Ações recomendadas no diagnóstico

  • Tombamento municipal da Igreja Matriz — alta prioridade
  • Parâmetros de entorno no Plano Diretor (gabarito, uso)
  • Reconhecimento da Praça da Matriz como Zona de Interesse Cultural no macrozoneamento
  • Definir parâmetros de intervenção em bens de referência histórica

Por que tombar?

O tombamento é o instrumento jurídico que impede a demolição ou descaracterização de um bem cultural. Sem tombamento, a Igreja Matriz pode ser modificada ou demolida sem que a lei impeça.

Além disso, o tombamento permite acesso a linhas de financiamento para restauração, preservação e valorização do patrimônio.

Festas, saberes e sons de Craíbas

As festas religiosas, as bandas musicais, o fumo em corda artesanal e as casas de farinha compõem o patrimônio imaterial identificado pelo diagnóstico.

8/12
Festa da Padroeira
Nossa Senhora da Conceição — principal evento religioso do ano. Congrega população urbana e rural em torno da Igreja Matriz.
Sem registro formal
23/4
Festa de Emancipação Política
Celebração cívica que mobiliza gestão pública e grupos organizados. Data da reemancipação de 1982.
Sem registro formal
Banda Fanfarra de Craíbas
Forma de expressão musical
Uma das expressões culturais mais estruturadas e continuadas do Município. Participa de celebrações cívicas, festas religiosas e eventos públicos — veículo de transmissão do saber musical entre gerações.
Sem registro formal
Fumo em corda artesanal
Saber e modo de fazer
Técnica tradicional de giração e cura do fumo em corda, praticada por produtores rurais. Saber acumulado sobre manejo da planta, tempos de cura, ferramentas e modos de organização do trabalho.
Ponto de atenção
Casas de farinha
Saber e modo de fazer
Representam a base da cultura alimentar rural. Com a expansão da mandiocultura em substituição ao fumo, esse saber-fazer ganha nova relevância para a identidade territorial.
Expansão da mandiocultura
Memória oral e tradição familiar
Saber e memória
Histórias da fundação dos Nunes, da dupla emancipação e da fumicultura são transmitidas oralmente entre gerações. Fundamental para a identidade do Município.
Registrar via Fundo Municipal de Cultura

Uma lei nova, ainda em implementação

Em 2023, Craíbas criou o Sistema Municipal de Cultura pela Lei 538. Os instrumentos existem — Conselho, Fundo, Plano — e estão em fase de operacionalização.

Lei 538/2023 — Sistema Municipal de Cultura

Criou 4 instrumentos importantes: CMPC (Conselho Municipal de Política Cultural), FMC (Fundo Municipal de Cultura), Plano Municipal de Cultura e Conferência Municipal — todos em processo de operacionalização.

4instrumentos criados

Estrutura de proteção — atual

InstrumentoSituação
CMPC — Conselho MunicipalEm operacionalização
FMC — Fundo Municipal de CulturaEm operacionalização
Plano Municipal de CulturaPrevisto
Conferência MunicipalPrevista

Ações prioritárias — diagnóstico

  1. Tombamento municipal da Igreja Matriz
  2. Parâmetros de entorno no Plano Diretor
  3. Praça da Matriz como Zona de Interesse Cultural
  4. Operacionalizar o Fundo Municipal de Cultura
  5. Registrar fumo em corda como patrimônio imaterial
  6. Elaborar o Plano Municipal de Cultura

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